Quem nunca tentou ensinar substantivo comum, próprio, concreto, abstrato e coletivo tudo numa aula só, e viu a turma decorar a definição sem entender nada de verdade? A criança repete “substantivo é a palavra que dá nome às coisas”, mas na hora de classificar uma palavra, trava. Foi pensando nesse ponto cego que nasceu o kit A Cidade dos Substantivos, uma história ilustrada que transforma cada classificação gramatical em um morador de uma cidadezinha chamada Substantivópolis.
Em vez de tabela e definição fria, a turma acompanha personagens com nome, roupa e jeito de falar. E o melhor: cada um deles carrega, literalmente, uma placa explicando o que representa. É gramática que se vê, se ouve e, com os palitoches que acompanham o material, também se manuseia.
Bem-vindos a Substantivópolis, a cidade que dá nome a tudo
A história começa apresentando a cidade e sua missão: cada morador existe para dar nome a pessoas, animais, lugares, objetos e sentimentos. É uma virada de chave simples, mas poderosa, porque a criança para de pensar em “substantivo” como um conceito abstrato de livro didático e passa a enxergá-lo como algo que está em todo lugar, inclusive nela mesma.
Dica de sala de aula: antes de começar a leitura, pergunte à turma o que eles acham que aconteceria se as palavras não tivessem nome para as coisas. É uma provocação rápida que já prepara o terreno para a ideia central do material.
Comum e Próprio: os irmãos que abrem a apresentação
Os primeiros moradores que a turma conhece são os irmãos Senhor Comum e Senhor Próprio. Comum explica que pode nomear qualquer pessoa, animal ou lugar de forma geral, como “menino” ou “cidade”. Próprio, sempre andando de cartola e cuidando da própria letra maiúscula, mostra que ele é mais específico: “Pedro” em vez de “menino”, e até usa a própria cidade de Campina Grande como exemplo de nome próprio, um toque carinhoso que qualquer aluno reconhece de imediato.
Dica de sala de aula: depois dessa parte, peça que cada criança escreva um substantivo comum e, ao lado, o substantivo próprio correspondente da vida dela (o nome do bairro, do colega, do animal de estimação). É uma forma rápida de fixar a diferença sem sair do papel e caneta.
Dona Concreta e Dona Abstrata: o que dá para tocar e o que só dá para sentir
Em seguida chega Dona Concreta, carregando uma cesta com casa, árvore, cachorro e lápis, tudo aquilo que “existe por si só”. Logo depois, Dona Abstrata surge com uma caixinha cheia de sentimentos: amor, alegria, tristeza, coragem, beleza, medo e amizade. A cena em que ela pergunta se dá para pegar a alegria com as mãos, e todos respondem que não, é um dos momentos mais espertos da história, porque explica o substantivo abstrato pela experiência, não pela definição.
Dica de sala de aula: depois de ler essa parte, faça o mesmo teste com a turma ao vivo: peça para tocarem em algo concreto da sala (a carteira, um livro) e depois “tentarem” tocar em um sentimento. A risada da turma já ajuda a fixar o conceito.
Senhor Coletivo: uma palavra que representa muita gente de uma vez
Senhor Coletivo nunca anda sozinho e adora mostrar que uma única palavra pode nomear um grupo inteiro: cardume de peixes, alcateia de lobos, enxame de abelhas. Para a criançada, essa é sempre uma das partes mais divertidas, porque soa quase como um jogo de adivinhação.
Dica de sala de aula: depois dessa seção, brinque de “adivinha o coletivo”: diga o grupo de animais e peça que a turma grite a palavra certa. Cardume, alcateia e enxame já garantem uma boa rodada.
Doutor Composto e Senhor Simples: uma palavra ou duas de mãos dadas
Doutor Composto chega fazendo barulho e mostrando os tesouros da mochila: guarda-chuva, beija-flor, passatempo e couve-flor, todos formados pela união de duas palavras. Ao seu lado, Senhor Simples defende que prefere andar sozinho, com nomes de uma palavra só, como flor, casa, livro e cachorro. A conversa divertida entre os dois ajuda a turma a perceber, sem esforço, a diferença estrutural entre os dois tipos.
Dica de sala de aula: proponha uma caça a substantivos compostos pela sala ou pela casa (guarda-roupa, porta-retrato, passatempo). Cada descoberta vira um ponto para a turma.
Dona Primitiva e Dona Derivada: quem nasceu primeiro?
As últimas moradoras apresentadas são inseparáveis. Dona Primitiva carrega palavras que não vieram de nenhuma outra, como pedra, terra, flor e mar. Dona Derivada, ao seu lado, mostra como essas mesmas palavras dão origem a outras: pedra vira pedreiro, flor vira florista, terra vira terreno. É uma introdução gentil à ideia de formação de palavras, sem precisar nomear o processo com termos mais complexos.
Dica de sala de aula: escreva no quadro três substantivos primitivos (pedra, flor, jornal) e peça que a turma, em duplas, tente descobrir uma palavra derivada de cada um. Depois, confirmem juntos.
A Grande Festa dos Substantivos: o fechamento que vira lição
A história termina com a prefeita de Substantivópolis anunciando a Grande Festa dos Substantivos, em que cada personagem contribui com o que sabe fazer de melhor. A mensagem final é simples e bonita: “Somos diferentes, mas juntos conseguimos dar nome ao mundo.” É o tipo de frase que vale a pena escrever no cartaz da sala depois da leitura.
O que vem no kit “A Cidade dos Substantivos”
Além da história ilustrada completa, com todos os nove personagens e suas classificações, o material traz os palitoches de cada morador de Substantivópolis, prontos para recortar, junto com um cenário da cidade para montar o teatrinho. É a mesma dinâmica que já funciona tão bem em outros materiais da coleção: a criança não só lê sobre os tipos de substantivo, ela recria a cena com as próprias mãos.
Dica de sala de aula: depois da leitura, divida a turma em grupos e distribua os palitoches. Cada grupo reconta uma parte da história usando os personagens, e isso já funciona como uma ótima avaliação informal de quanto a turma entendeu cada classificação.
Por que vale a pena levar “A Cidade dos Substantivos” para sua turma
Se você já usa um texto de introdução aos substantivos, como este material com atividade de interpretação para o 3° ano, a Cidade dos Substantivos é o passo natural seguinte: aprofunda as classificações e ainda entrega uma atividade lúdica pronta para fixar o conteúdo. E se a turma gostou da ideia de personagens que ensinam gramática, vale muito a pena conhecer também A Viagem pelas Vozes do Brasil, que usa a mesma dinâmica de palitoches para explorar as variações linguísticas do país. Você encontra ainda mais materiais assim reunidos na categoria de Língua Portuguesa do site.
Leve a Cidade dos Substantivos para a sua sala
Tudo pronto: história ilustrada, palitoches dos nove personagens e cenário para montar o teatrinho. É só imprimir, recortar e contar essa história para a turma quantas vezes for preciso, porque com personagem e brincadeira, ninguém esquece mais a diferença entre substantivo comum e substantivo próprio.
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